somos briosa

somos briosa

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Rescaldo do Benfica - Académica


Decorrido algum tempo sobre o jogo do passado sábado, justificam-se breves notas suscitadas pela análise do jogo e pela leitura das crónicas, comentários e críticas que nos últimos dias surgiram a propósito da exibição da Académica no Estádio da Luz.
É verdade que em circunstâncias normais a Académica perde na Luz. Dos 63 jogos, até hoje, disputados em Lisboa com o Benfica para a primeira liga, a Académica ganhou 4, empatou 4 e perdeu 55 (87%).
Perder na Luz é normal, não deslustra nem compromete os objectivos da Académica e não vale a pena recorrer a verdades do tipo “um orçamento de milhões contra tostões”, “são de outro campeonato”, “os plantéis não são comparáveis”, etc. para justificar uma derrota. Repetir, até à exaustão, argumentos que são indiscutíveis serve para afagar o ego, mas acaba por contribuir para mascarar uma exibição muito pobre.
Perder é normal, mas perder daquela forma é deprimente. O resultado não engana, mas pior que o resultado foi, na minha opinião, a exibição.
A Académica entrou no jogo retraída, submissa, com um temor quase reverencial perante um adversário que, desde o primeiro minuto, procurou ser pressionante, agressivo e dominador.
O ambiente, a pressão e a qualidade do adversário não justificam tudo. A estratégia idealizada (três centrais contra dois pontas de lança com grande mobilidade) desmoronou-se, como um castelo de cartas, ao fim de 11 minutos. Dois cruzamentos, um pela direita e outro pela esquerda e dois golos de cabeça, aos 8 e 11 minutos. Novo golo de penalti aos 19 minutos e, depois, seguiram-se sucessivas roturas provocadas pelo meio campo e pelos avançados do Benfica na defesa da Académica, que originaram mais dois golos a que se poderiam ter juntado mais dois ou três não fosse a exibição de Cristiano.
Ao descalabro defensivo juntou-se um contra ataque inexistente. Tirando o golo Rafael Lopes não me recordo de uma jogada com o mínimo de perigo junto da baliza do Benfica.
A emoção de Rafael Lopes após ter marcado o golo
Finalmente, as opções para a equipa inicial, apesar do número de jogadores impedidos por lesão ou castigo, não terão sido, na minha opinião, as melhores
Nada do que escrevemos põe em causa a entrega dos jogadores nem o excelente trabalho que tem vindo a ser desenvolvido por José Viterbo desde que tomou conta da equipa.
Neste mesmo blogue publicámos duas crónicas, 26/02/2015 e 17/03/2015, em que elogiámos o trabalho de José Viterbo. Desta vez esteve menos bem. Omitir ou escamotear este facto não beneficia nem José Viterbo nem a Académica!


segunda-feira, 13 de abril de 2015

Viagem no Tempo - Equipas que fizeram história (1960 a 65)


Década de 60

A década de 60 fica na História do Futebol da Académica como a década de ouro.
No Campeonato Nacional da 1ª divisão classificou-se uma vez em 2º lugar e por duas vezes foi 4ª classificada. Na Taça de Portugal disputou duas finais, tendo sido, ainda, finalista da Taça Ribeiro dos Reis. Participou por duas vezes em competições europeias, 3 vitórias, 2 empates e 3 derrotas. Simplesmente fantástico!
O troféu “Bola de Prata”, correspondente ao melhor marcador do Campeonato Nacional da 1ª divisão, foi ganho na época de 1968-69 por Manuel António, avançado da Académica.
A equipa de juvenis sagrou-se Campeã Nacional na época de 1966-67 e foi finalista em 1967-68 e 1968-69, a equipa de principiantes foi finalista do Campeonato Nacional em 1962-63 e a de juniores em 1967-68.
No verão de 1961 um jogador da Académica protagonizou a primeira grande transferência de um futebolista português para o estrangeiro.

Época de 1960-61

A primeira transferência para o estrangeiro

Nesta época a Académica classificou-se em 7º lugar no Campeonato Nacional e é afastada da Taça de Portugal na 1ª eliminatória.
O final da época ficou, no entanto, marcado pela primeira grande transferência de um jogador português para o estrangeiro. Jorge Humberto, estudante de Medicina e avançado da Académica, transferiu-se para o poderoso Inter de Milão.
Em consequência desta transferência ofereceu à Académica, sem que a isso fosse obrigado ou algo recebesse em troca,1.000 contos, valor que, actualizado  à inflação, seriam, hoje, cerca de 450.000 euros.
Jorge Humberto à partida de Coimbra para Milão
 
Em Milão o treinador Helénio Herrera apresenta-o aos dirigentes do Inter
 
Só 48 anos mais tarde este seu gesto foi publicamente reconhecido. No dia 25 de Janeiro de 2009 a Direção Geral da Associação Académica de Coimbra homenageou Jorge Humberto descerrando uma lápide com o seu nome no Campo de Sta Cruz e promovendo uma homenagem no Estádio Cidade de Coimbra no intervalo do jogo Académica - Vitória de Guimarães.

Homenagem da DG da AAC em 25 de Janeiro de 2009 no Estádio Cidade de Coimbra
 
Época de 1964-65

4º lugar no Campeonato Nacional da 1ª divisão

Na época de 1964-65 a Académica, orientada, pela primeira vez, por Mário Wilson, classificou-se em 4º lugar no Campeonato Nacional da 1ª divisão, a sua melhor classificação até esta altura, ficando a 1 ponto do 3º (G.D.CUF), a 3 do 2º (Porto) e a 9 do 1º classificado (Benfica). Nos seis jogos efectuados contra Benfica, Porto e Sporting, ganha três, perde dois e empata outro.
Fica para a história o título de uma crónica do jornal A Bola, assinada por Vítor Santos, depois da vitória sobre o Sporting por 3-0: “Levanta-te mestre Cândido e vem ver a tua Académica”.

De pé: Maló, Torres,, Marques, Curado, Gervásio e Rui Rodrigues. À frente: Crispim, Vítor Campos, Manuel António, Rocha e Oliveira Duarte



 

terça-feira, 7 de abril de 2015

Uma ou duas Académicas?



Colégio de S. Paulo sede da AAC em 1913
O dia 20 de Junho de 1974 foi, provavelmente, o dia mais negro da história do futebol da Académica. Uma Assembleia Magna da AAC. manipulada por pseudo-revolucionários decidiu extinguir a Secção de Futebol com o argumento de que esta não funcionava de acordo com os princípios do amadorismo que regulavam as restantes secções.
Após dois meses de reuniões, manifestações, recursos e as mais variadas pressões sobre o poder político da altura e sobre os órgãos jurisdicionais da FPF, a 17 de Agosto de 1974 o Conselho Superior de Justiça da FPF revoga as suas decisões anteriores e aceita o Clube Académico de Coimbra (CAC) como legítimo sucessor da extinta Secção de Futebol da AAC, com os inerentes direitos desportivos.
Dez anos mais tarde, na noite de 24 de Julho de 1984, é assinado um protocolo pelo, então, Presidente da Direção Geral da Associação Académica de Coimbra, Ricardo Roque e pelo Presidente do CAC, Jorge Anjinho, que previa a extinção do CAC. e a sua integração na AAC. com o estatuto de Organismo Autónomo.
Neste documento pode ler-se que “o Organismo Autónomo de Futebol procurará continuar a obra da antiga Secção de Futebol da AAC quer na alta competição do futebol quer na formação social dos seus atletas”.
Estava, assim, reparada a enormidade cometida dez anos antes e consumado o regresso da Académica – Futebol à “Casa-Mãe”.
No entanto, logo a seguir à extinção da Secção de Futebol em Junho de 1974 um grupo de estudantes reorganizou a extinta Secção de Futebol com o objectivo de se dedicar ao desporto amador, particularmente ao desporto universitário.
Surge, assim, a Académica – S.F. que no início da década de 80 acaba por se inscrever na Associação de Futebol de Coimbra o que lhe permite começar a disputar provas federadas, o que acontece, pela primeira vez, na época de 81-82 em que participa no Campeonato Distrital de Coimbra da 3ª divisão.
Actualmente a S.F. lidera a Divisão de Honra da A.F.C. estando em posição de subida ao Campeonato Nacional de Seniores (antiga 3ª divisão nacional) e os Sub-23 do OAF disputam, também, a Divião de Honra encontrando-se em 5º lugar.
Na minha opinião não é compreensível que dois clubes disputem a mesma competição, Divisão de Honra da AFC, utilizando o nome e o símbolo da mesma instituição, a Associação Académica de Coimbra.
No entanto, mais grave do que assistir aos Sub-23 do OAF contra a S.F. é ver miúdos e jovens dos escalões de formação confrontarem-se (e de que maneira!) envergando a mesma camisola com o mesmo símbolo. Esta rivalidade que começa nos escalões de formação e se estende aos pais e familiares terá, inevitavelmente, consequências, a médio e longo prazo para a própria instituição.
Algo está, profundamente, errado que é necessário corrigir.
 
 
Não vale a pena chorar sobre o leite derramado porque o passado é história e a história não se repete. Naturalmente que interessa reflectir sobre o passado, mas o que verdadeiramente importa é encarar o presente tal como ele se nos apresenta e perspectivar o futuro.
A resolução deste problema implica uma visão abrangente sobre a Académica, um espirito aglutinador e mentalidades abertas e dialogantes.
Quando foi publicada a legislação sobre os clubes satélites a direção da Académica-OAF presidida por Mendes Silva tentou que a Seção de Futebol se transformasse num clube-satélite do OAF. Após várias reuniões entre a SF e o OAF a proposta foi rejeitada pela SF com o argumento de que o seu regulamento interno não permite a utilização de jogadores que não sejam estudantes ou ex-estudantes universitários. Regulamento “estranho”, quando é conhecido que outras Secções Desportivas da AAC, nomeadamente  basquetebol, andebol e rugby, utilizaram diversos atletas que não eram nem estudantes nem ex-estudantes universitários, sendo muitos deles atletas profissionais. Mais tarde, Campos Coroa retomou, sem sucesso, a ideia do clube-satélite.
A criação de um clube-satélite ou, então, de uma equipa B, qualquer das hipóteses tendo por base a Secção de Futebol e pressupondo a integração dos sub-23 do OAF, parecem-nos as soluções mais plausíveis e, provavelmente, menos polémicas. Mais difícil, porque envolve aspectos financeiros, é encontrar uma solução consensual para os escalões de formação.
Refundar uma única Académica é um desafio para todos aqueles que sentem, vivem e têm paixão pela Briosa. Não é tarefa fácil, mas com academismo, vontade de aglutinar e espirito de diálogo será, sempre, possível encontrar soluções que satisfaçam as partes envolvidas e, sobretudo, que prestigiem e dignifiquem a instituição Associação Académica de Coimbra.
Estarão os principais protagonistas (OAF, SF,D.G.) à altura deste desafio? Serão capazes de compreender 127 anos de história?  

 

 

  

     

sábado, 4 de abril de 2015

Viagem no Tempo - Equipas que fizeram história (década de 50)


Década de 50
A Académica da década de 50 destacou-se pela presença na final da Taça de Portugal da época de 1950-51 e na meia-final da temporada de 1954-55. A equipa de juniores teve uma década brilhante, pois foi Campeã Nacional nas épocas de 1951-52 e 1953-54 e finalista vencida em 1954-55 e 1955-56.

Finalista da Taça de Portugal em 1950-51
No dia 10 de Junho de 1951, a Académica jogou com o Benfica a final da Taça de Portugal no Estádio Nacional. Foi derrotada por 5-1 tendo Macedo marcado o golo da Académica.
Para chegar à final a Académica eliminou nos oitavos-de-final o Oriental (3-2 e 3-3), quartos-de-final o V. Guimarães (3-1 e 0-0) e meia-final o Belenenses (3-3 e 3-0).



De pé: António Pita (massagista), Óscar Tellechea (treinador),Capela, Branco, Melo, José Miguel, Torres, Eduardo Santos, Azeredo, Costa Reis (dirigente) e Prates. À frente: Duarte, Gil, Macedo, Nana, Bentes e Pinho.
 
A claque da época
Semifinalista da Taça de Portugal em 1954-55
Na meia-final da Taça de Portugal da época de 1954-55, a Académica foi derrotada por 6-0 pelo Benfica num jogo que se disputou em 5 de Junho de 1955 no Campo Alfredo de Aguiar em Santarém.
Para chegar à meia-final a Académica eliminou, sucessivamente, o Atlético (5-4), o Setúbal (3-1) e o Belenenses (1-0).




De pé: Ramin, Torres, Pérides, Gil, Wilson e Melo. À frente: Duarte, Faia, André, Macedo e Bentes
 
Campeã Nacional de Juniores
Na época de 1951-52 a Académica foi Campeã Nacional de Juniores após vencer na final o Portalegrense por 2-1. Na época de 1953-54 sagrou-se, novamente, campeã nacional derrotando na final a CUF do Barreiro por 2-0, tendo havido necessidade de realizar um segundo jogo por o primeiro ter terminado empatado.
Nas épocas de 1954-55 e 1955-56 foi finalista vencida do Campeonato Nacional de Juniores.


Equipa Campeã Nacional de Juniores em 1951-52


Equipa Campeã Nacional de Juniores em 1953-54
 

 

domingo, 29 de março de 2015

O nome dos estádios


No futebol contemporâneo, após as grandes marcas comerciais terem disputado o espaço publicitário nas camisolas dos principais clubes, a luta estendeu-se ao negócio dos “naming rights” (direitos de nome em tradução livre para português) dos estádios, fenómeno muito frequente nos Estados Unidos com os recintos de basebol, basquetebol e futebol americano.
A Alemanha é um dos países onde este negócio mais proliferou, pois das 18 equipas da Bundesliga, apenas, quatro não têm o nome dos seus estádios associados a uma marca comercial. Na Inglaterra e no Brasil, embora de forma mais tímida, alguns clubes, também, já recorrem a esta forma de patrocínio que na Alemanha rende, em média, por época a cada clube 2,5 a 2,7 milhões de euros.
No entanto, a experiencia tem mostrado que é difícil convencer os adeptos a abandonar a designação tradicional dos estádios, que muitas vezes têm o nome de personalidades carismáticas ligadas aos clubes, em detrimento de um nome que envolva uma marca comercial.
Tradicionalmente os estádios têm o nome dos locais, cidades ou bairros, onde estão implantados ou de figuras carismáticas dos clubes, habitualmente presidentes ou jogadores.
Em Coimbra existem três estádios, Estádio Cidade de Coimbra (a que a Académica por motivos de “sponsorização” associou o nome Efapel), Estádio Universitário e, mais recentemente, o Estádio Municipal Sérgio Conceição localizado em Taveiro.
Estou certo que muitos se interrogam sobre as razões que terão levado o Executivo Municipal da época a atribuir o nome de Sérgio Conceição ao Municipal de Taveiro.
Sérgio Conceição nasceu no concelho de Coimbra e fez parte da sua formação na Académica, clube que representou, apenas nas camadas jovens, entre 1986-87 e 1990-91. Com 17 anos (1991) transferiu-se para o F.C. Porto e até terminar a sua carreira, dezoito anos mais tarde, nunca mais voltou a vestir a camisola da Académica. Recentemente, final da época de 2012-13 e época de 2013-14, foi treinador da Académica.
Em contrapartida, se revisitarmos a história do futebol da Académica encontramos muitas personalidades (dirigentes, treinadores, jogadores) que foram figuras de referência na instituição e contribuíram para o seu prestígio e engrandecimento.
Dos jogadores, permito-me destacar sete, cujo curriculum, como cidadãos e futebolistas da Académica, deveria ter sido, obrigatoriamente, ponderado e valorizado pelo então Presidente da Câmara Municipal de Coimbra.
António Bentes - 15 épocas consecutivas na Académica (retirou-se em 1959), 328 jogos,167 golos (melhor marcador de sempre da história Académica), 5 vezes internacional, 3 pela Seleção A. Professor Primário. Faleceu em 6 de Fevereiro de 2003 com 75 anos.
Mário Wilson - 12 épocas consecutivas (retirou-se em 1963), 281 jogos,17 golos,207 vezes capitão de equipa, 2 vezes internacional pela Seleção B. Treinador da Académica durante 7 épocas, tendo orientado a equipa em 237 jogos.
Mário Torres - 16 épocas consecutivas (retirou-se em 1966), 373 jogos, 32 golos,102 vezes capitão de equipa, 7 vezes internacional, 5 pela Seleção A. Treinador uma época. Médico Obstetra.
João Maló - 11 épocas consecutivas (retirou-se em 1969), 150 jogos, 6 vezes internacional, uma pela Seleção B. Treinador uma época. Médico, Professor Universitário.
Augusto Rocha - 15 épocas consecutivas (retirou-se em 1971), 373 jogos, 59 golos,120 vezes capitão de equipa,19 vezes internacional, 7 pela Seleção A.
Vítor Campos - 13 épocas consecutivas (retirou-se em 1976), 345 jogos, 33 golos, 2 vezes internacional, uma pela Seleção A. Médico Anestesista.
Vasco Gervásio - 17 épocas consecutivas (retirou-se em 1979), 430 jogos, 50 golos, 284 vezes capitão de equipa, 7 vezes internacional, uma pela seleção B. Treinador uma época. Seis anos Vice-Presidente da Direção. Licenciado em Direito. Faleceu em 3 de Julho de 2009.

A atribuição do nome de Sérgio Conceição ao Municipal de Taveiro não terá sido, seguramente, pelo contributo desportivo que este deu à Académica, já que a representou, apenas, nos escalões de formação ou por serviços relevantes prestados à cidade, dos quais ninguém tem conhecimento.
Então o que se terá passado? Rebobinemos o filme da história.
Dia 17 de Novembro de 2002, o Estádio Sérgio Conceição, completamente cheio, é inaugurado com o jogo Académica-Vitoria de Setúbal, correspondente à 11ª jornada da Super-Liga da época de 2002-03.
Nove anos mais tarde, 23 de Abril de 2012, pode ler-se no “Mais Futebol” a seguinte declaração de Sérgio Conceição: “Quando foi inaugurado o estádio com o meu nome, em Taveiro a 10 km de Coimbra, que não é meu, tem apenas o meu nome, comprei toda a bilheteira. Foram 60.000 euros que ofereci à Académica.”
Terá sido esta a razão? Terá sido uma forma pioneira de “naming rights” que justificou a atribuição do nome do Estádio?
Se foi, terão sido ponderados outros nomes, como o de Jorge Humberto ex-futebolista da Académica?
Jorge Humberto, hoje médico pediatra, foi um poderoso avançado que jogou 6 épocas na Académica (retirou-se em 1966), fez 100 jogos, marcou 34 golos, foi uma vez internacional pela Seleção B e uma época treinador. No verão de 1961 protagonizou a primeira grande transferência de um futebolista português para o estrangeiro. Em consequência da transferência para o Inter de Milão ofereceu à Académica, sem que a isso fosse obrigado ou algo recebesse em troca, 1000  contos,valor que actualizado à inflação seria, hoje, cerca de 450.000 euros.
Quaisquer destes ex-jogadores ou, então, dirigentes históricos como João Moreno, Jorge Anjinho ou Paulo Cardoso, não deveriam ter sido homenageados atribuindo o seu nome ao Estádio Municipal de Taveiro?
A cidade, através da sua Assembleia Municipal, ainda, está a tempo de reparar este erro!

  




quinta-feira, 26 de março de 2015

Viagem no Tempo - Equipas que fizeram história (década de 40)

Década de 40

Os anos 40 ficaram marcados pela  presença na semifinal da Taça de Portugal na época de 1943-44, pela subida de divisão em 1948-49 e pelo título nacional de juniores em 1949-50.
  
Semifinalista da Taça de Portugal em 1943 - 44
Na época de 1943-44 a Académica atingiu a meia-final da Taça de Portugal tendo sido eliminada pelo Benfica. Na 1ª mão perdeu por 6-1 em Lisboa e na 2ª empatou 1-1, em jogo disputado em Viseu por o Campo de Sta. Cruz se encontrar interdito. Para atingir as meias-finais a Académica eliminou nos oitavos-de-final o Salgueiros (2-4 e 7-2) e nos quartos-de-final o Vitória de Setúbal (3-1,1-3 e 3-0).
De pé: Chico Lopes, Vasco, Mário Reis, Faustino, Lomba e Octaviano. Á frente: Micael, Alberto Gomes, Lemos, Nini e António Maria (Treinador: Severiano Correia).
Académica - Benfica disputado no Estádio do Fontelo

Campeã Nacional da 2ª divisão na época de 1948 - 49
Na época de 1947-48 a Académica ficou em último lugar no Campeonato Nacional da 1ª divisão ocorrendo a primeira descida de divisão da sua história. Na época seguinte,1948-49, a Briosa, orientada por Alberto Gomes, venceu o Campeonato Nacional da 2ª divisão, classificando-se em 1º lugar na 1ª fase - Zona B, 1º lugar na 2ª fase - Zona Norte e 1º lugar na fase final. Com esta conquista a Académica regressou na época seguinte à 1ª divisão.

De pé: Diogo, Brás, Branco, Castela, Azeredo e Capela. À frente: Pacheco Nobre, Alberto Gomes, Garção, Nana e Bentes.
A claque da época
Festa em Coimbra pela subida de divisão

Campeã Nacional de Juniores na época de 1949 - 50
Na época de 1949-50 a Académica sagrou-se Campeã Nacional de Juniores, após ter sido finalista vencida nas épocas de 1939-40,1946-47,1947-48 e 1948-49. Na final derrotou o Benfica por 2-1, num jogo realizado em 21 de Maio de 1950 no Estádio José de Alvalade.
Desta equipa, treinada por Alberto Gomes, fazia parte, entre outros, Mário Torres que jogou, exclusivamente, na Académica durante 16 épocas consecutivas, tendo disputado 373 jogos. Foi internacional pela Seleção Principal de Portugal cinco vezes.
Equipa Campeã Nacional de Juniores em 1949-50,assinalando-se a presença de Mário Torres

sábado, 21 de março de 2015

Um academista de alma e coração?


 
No final do jogo Braga-Académica o treinador do Braga protagonizou uma série de cenas lamentáveis, incluindo uma tentativa de agressão ao Presidente da Académica, que motivaram a sua expulsão pelo árbitro do desafio.
O futebol é um misto de paixão, emoção e irracionalidade e, por isso, não é de estranhar a frequência com que se cometem excessos, se proferem afirmações descabidas, ou se tenta demonstrar que,afinal, é a Terra que gira em volta da Lua!
No futebol, ser temperamental é normal, ser irracional é desculpável, mas ser arruaceiro é, no mínimo, deplorável! A atitude do treinador do Braga classifica-se de arruaceira!
Por outo lado, aceitar ou aplaudir a tentativa de agressão do treinador do Braga, apenas, porque o visado era o actual Presidente da Académica é, absolutamente, lamentável e só revela que, para alguns, tudo é admissível desde que seja para gáudio do seu ódio ao Presidente da Académica!
Já afirmei neste blogue que o ciclo do Eng.º José Eduardo Simões como Presidente acabou. Por diversas vezes neste mesmo espaço critiquei duramente a actual Direção e, particularmente, o seu Presidente, mas recuso-me a enfileirar com aqueles para quem o “ódio” ao Presidente parece ser muito mais importante do que a própria Académica.
Em contrapartida, as declarações de José Viterbo no final do jogo em Braga, são, mais uma vez, reveladoras da sua integridade e do seu genuíno academismo.
Sérgio Conceição fez um bom trabalho na Académica e não questiono a sua qualidade como treinador. Como homem nunca gostei, nem gosto, de tal personalidade e os recentes acontecimentos só reforçam esta opinião.
Recordo o dia 23 de Abril de 2011 e o jogo Académica-Olhanense correspondente à 27ª jornada da época 2011-12. A Académica estava numa situação dramática, antepenúltimo lugar na classificação a dois pontos do penúltimo e perdeu este desafio por 1-0.
Recupero as imagens da satisfação efusiva exteriorizada no final do jogo, aos olhos de toda a gente, pelo Sérgio Conceição. Naturalmente que um profissional, como é Sérgio Conceição, tem a estrita obrigação de servir a entidade empregadora, neste caso o Olhanense e de ficar satisfeito pela vitória. Nada disto é surpreendente ou criticável. Mas, surpreendente foi a forma como festejou a vitória, sabendo que, a três jornadas do fim do campeonato, esta derrota poderia ter significado a despromoção irremediável da Académica. enquanto o Olhanense estava numa posição tranquila. Para quem se diz um “Academista de alma e coração (?)” é, no mínimo, estranho!
Depois ultrapassados os conflitos com o Presidente que resultaram deste episódio, a somar a outros de menor importância, Sérgio Conceição, substituiu a 9 de Abril de 2013, Pedro Emanuel como treinador da Académica.
Vale a pena, para os mais esquecidos, recordar algumas frases suas proferidas na conferência de imprensa em que foi apresentado com treinador da Académica (9/04/2013):“Embora não seja de Coimbra, como sabem nasci numa aldeia aqui próxima, sinto este clube como meu”. “Estou na minha cadeira de sonho”. Referindo-se, agora, ao Presidente, “tivemos a oportunidade de falar nas questões que nos separavam e agora vamos trabalhar numa base de confiança, estima, consideração e respeito pelo trabalho de cada um”.
Palavras, no mínimo, enternecedoras, tanto para Conceição como para Simões, quando um ano antes se tinham “elogiado” mutuamente na imprensa. Declarações de J.E. Simões (25/04/2012), “ …o problema dele talvez seja do foro psiquiátrico. Em Coimbra para esses casos há o Hospital Sobral Cid”. Resposta de Sérgio Conceição (25/04/2012), “o único caso clinico que conheço é o Presidente da Académica que tem de ser internado”. Eloquente de lado a lado!
Finalmente, ao terminar a época passada Sérgio Conceição andou, durante algum tempo, a jogar “ao gato e ao rato” com a Direção da Académica, acabando por partir para Braga.
Agora, depois de há uma semana ter afirmado que “… não tenho cor clubística. A minha camisola por dentro é a cor da pele e se tiver que meter uma é preta, da Académica”, protagonizou uma tentativa de agressão ao Presidente da Académica na sequência do empate ontem verificado.
É demais, para quem, sem qualquer justificação minimamente aceitável, tem o seu nome num dos estádios desta cidade, quando tantas personalidades de vulto e respeitáveis do futebol coimbrão o teriam, indiscutivelmente, merecido!